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  • Jhonatas Nilson

Conto Exclusivo: Uma surpresa especial, por Jhonatas Nilson





Ela estava ansiosa. Na verdade, sentia que se ele não chegasse naquele mesmo instante, certamente entraria em colapso. Nunca fizera algo assim na vida e temia que tudo desse errado.

Mayra Connor trajava apenas uma lingerie vermelha. Tinha saltos negros nos pés e uma touca de Papai Noel na cabeça. Seus cabelos negros e volumosos pareciam mais rebeldes do que o comum e a maquiagem era leve, delicada.

Seu coração estava agitado e a insegurança inundava seus nervos, mas, ao mesmo tempo, também havia a excitação. Após meses sendo treinada, era hora de assumir o desafio e realizar exatamente o que o Senhor desejava.

Eles haviam se conhecido no início do ano, quando ela recém havia ingressado na faculdade. Com seus olhos meigos e aparência virginal, chamara a atenção do Senhor quase que imediatamente.

Ele tinha trinta e cinco anos e era quinze anos mais velho do que Mayra, mas ela não se importava. E se fosse bem sincera consigo mesma, admitiria facilmente que gostava de saber que o Senhor tinha toda aquela experiência para dedicar somente ao seu prazer.

No entanto, a relação deles mudara de uma hora para outra na semana anterior, quando ele a chamara em seu quarto.

“Quero que você me surpreenda neste Natal, Mayra.” Seus olhos eram azuis e intensos, pareciam roubá-la da própria órbita e levá-la a perder-se em si mesma. “Você será a minha senhora e provará que merece estar em minha presença.”

Ao ouvir as palavras dele, Mayra sentira uma arrepio percorrer o seu corpo. Nunca imaginara que ele poderia propor algo assim.

Durante os meses em que estiveram juntos, o Senhor lhe ensinara a arte do prazer, provando-se calmo e extremamente sedutor. Mas, sempre que ela errava ou demonstrava rebeldia, as punições cresciam. Começara com simples tapas e agora podia chegar a choques e cera de vela quente contra a pele

Aquilo obviamente não se tratava de agressão, pois Mayra gostava de ser submissa. E agora que tinha a oportunidade de ser uma dominatrix,simplesmente encontrava-se inteiramente perdida.

Não queria decepcionar o Senhor, mas como poderia surpreendê-lo se fora ele quem ensinara tudo o que ela conhecia em relação ao sexo?

Passara os últimos dias pesquisando e tentando encontrar a melhor maneira de ser uma dominatrix. Apesar de estar verdadeiramente curiosa para saber como tudo aconteceria, não se sentia tão confortável. Certamente preferia ser dominada e levada ao ápice sem precisar se preocupar com nada mais.

Quando ele entrou no chalé reservado que ficava localizado em uma fazenda no interior de Oregon, Estados Unidos, ela inspirou profundamente e sorriu. Estava na hora de começar o trabalho e esperava que o seu melhor fosse o suficiente.

— Você está atrasado em dois minutos. — Ela se aproximou, seus saltos estalando no piso.

Ele era um homem elegante, tinha os cabelos negros com alguns fios grisalhos. E naquele instante, com a cabeça baixa e os olhos com ar de submissão, parecia ainda mais sexy.

Mayra tinha um chicote de couro em uma das mãos. O apertou entre os dedos e voltou a sorrir. Apesar de parecer extremamente segura de si, estava tremendo por dentro.

— Eu detesto homens atrasados. — Ela segurou a gravata vermelha e o puxou, levando-o pelo chalé. Quando chegaram ao quarto, voltou-se para ele uma vez mais. — Tire a roupa. Agora.

— Estou gostando de ver…

Ela levantou um dos braços e lançou uma chicotada no rosto do Senhor, fazendo-o dar dois passos para trás e soltar um gemido.

— Eu não disse que você podia falar. Tire a roupa, não quero mandar outra vez. — Mayra estava trêmula.

Lentamente, o Senhor tirou a camisa social e em seguida a calça. Logo depois, jogou a cueca boxer para longe e permaneceu imóvel, aguardando novas ordens.

— Ajoelhe-se. — Era estranho vê-lo obedecer as ordens, quando era ela quem sempre havia obedecido. — Quero que você olhe para mim.

Ele se ajoelhou e levantou a cabeça, fixando o olhar no corpo feminino. Havia luxúria em sua expressão e perceber aquilo a incentivou.

Lentamente ela levantou uma das pernas e a pousou em seu ombro. Seu sexo estava úmido e latejante. Mayra precisava ser tocada.

Ainda tremendo, puxou a calcinha vermelha para o lado e inseriu dois dedos em sua vagina molhada. Gemeu baixinho e sussurrou coisas que somente ela mesma entendia.

O Senhor também soltou um gemido e levantou uma das mãos, querendo tocá-la.

— Eu não disse que você pode se mover! — Com um gesto rápido, o acertou no peito com o chicote. Logo, o acertou mais uma e outra vez. As marcas vermelhas brilhavam na pele e o suor já escorria.

O Senhor sabia que ela nunca havia feito nada daquilo, por isso, perdoava o fato de que nenhuma regra havia sido combinada anteriormente. O melhor era simplesmente seguir o jogo. Estava adorando ver o brilho no olhar feminino, de quem estava desabrochando para uma nova experiência.

Ele amava Mayra. Amava verdadeiramente. E naquela noite de Natal, pretendia mudar o relacionamento que tinham, pois já não podia seguir da maneira como estavam seguindo. As coisas estavam intensas demais. Profundas demais.

Nunca havia encontrado alguém como ela, alguém capaz de fazê-lo sentir. E, definitivamente, aquilo era algo a ser levado em conta

Desde que perdera a esposa cerca de catorze anos antes, o Senhor nunca se permitira sentir outra vez. Até então, não parecia valer a pena amar alguém e correr o risco de perder tudo logo em seguida. Mas com Mayra era diferente.

Agora, quando refletia sobre o assunto, chegava à conclusão que na verdade tivera medo de se entregar aos sentimentos. No entanto, não com ela. Mayra fazia o seu coração pulsar mais forte, vivo.

Tirando-o dos próprios devaneios, ela voltou a tocar-se. O odor almiscarado de sua feminidade o inebriava, deixando-o tonto. Queria tocá-la, senti-la e odiava-se por não poder fazer nada mais além de admirá-la e desejá-la.

— O que você acha? — Ela se aproximou um pouco mais. Sua vagina estava muito perto dos lábios do Senhor e ele precisou fechar os olhos para não perder o controle. — Abra os olhos. Eu não disse que você pode fechá-los.

Os minutos seguintes foram intensos. O Senhor observou quando Mayra deitou-se na cama e ordenou para que ele a tocasse.

Suas mãos rígidas perpassaram pelo corpo feminino já desnudo, que tremia de anseio. Ele adorava senti-la tão entregue e, se pudesse, faria com que aquele momento durasse para sempre.

Lentamente, acariciou os seios e tomou um dos mamilos com a boca, faminto. Mayra soltou um longo gemido e fincou as unhas nas costas dele, pedindo por mais. Ordenando.

O Senhor sentia seu membro latejar, mas ainda não havia recebido a autorização para possuí-la por completo, por isso, seguiu com a descoberta, desvendando o corpo e encantando-se com o poder que ela detinha em sua alma.

Logo, quando desceu mais um pouco, ele rodopiou a língua pela vagina e deliciou-se com o sabor almiscarado. Ela passou a mão pelos cabelos dele, fechando os olhos e estremecendo como se aquela fosse a primeira vez.

Usualmente, era Mayra quem se dedicava a dar-lhe prazer enquanto ele apenas lançava ordens. Mas naquele instante, ocorria o contrário. Ele estava completamente entregue e disposto a fazê-la chegar ao ápice.

— Pare. — disse ela, lânguida. — Deite-se.

Quando ele deitou entre os travesseiros, ela pegou um dos lençóis e o amarrou, fazendo com que ambos os braços ficassem presos atrás das costas. Em seguida, pousou na cama e segurou o membro pulsante, que claramente ansiava pelo toque.

— Você não está autorizado a gozar.

Mayra não esperou pela resposta dele. Apenas começou a chupá-lo lentamente, sem pressa. Sua língua girava, levando uma onda de desejo louco e prazer incontido pelo corpo do Senhor.

Ele queria tocá-la, domá-la, mas simplesmente não podia e aquilo o enlouquecia. Estava acostumado a ter todos os seus desejos atendidos imediatamente, e ver que não detinha nenhum poder naquele momento tanto o incomodava quando o excitava.

Aquela, sem dúvidas, era a primeira vez em que dava tamanha abertura para uma submissa. E, com Mayra, parecia certo. Pois, simplesmente queria poder ter a oportunidade de descobrir novas sensações ao seu lado.

Sentiu o corpo suar e o coração acelerar enquanto os segundos pareciam passar em uma lentidão agonizante e, sem que pudesse controlar, soltou um longo gemido, quase como se estivesse clamando para que ela parasse. Era difícil manter o controle quando uma mulher como Mayra se encontrava completamente disposta a seduzi-lo.

Surpreendendo-o, ela se levantou e recostou o corpo contra o dele. Com um sorriso, disse:

— Faça o que quiser. Você sempre será o meu Senhor. — Aquela voz suave fez com que todo o corpo dele estremecesse. Não apenas de prazer, mas de alegria. Alegria por ter alguém como ela ao seu lado, por saber que aquilo não se tratava apenas de sexo e luxúria, mas de respeito, carinho e... Algo mais.

Amor.

Sem esperar muito, ele a pousou em cima da cama e a beijou ardentemente. Não queria domínio, não queria poder. Precisava apenas tê-la ao seu lado, sussurrando palavras incompreensíveis de prazer. Somente aquilo importava. A conexão que se formara com o passar dos meses. E tudo o que ele passara a sonhar em ter ao lado de Mayra.

— Eu amo você. — A voz dele soou quase irreconhecível e pela primeira vez em muito, muito tempo, o Senhor se sentiu completamente inseguro. Talvez já não soubesse amar, ou talvez simplesmente não quisesse admitir que sim, sabia exatamente como fazê-lo.

Os olhos dela se encheram de lágrimas, afinal ele nunca falara algo assim. Apesar de demonstrar carinho e respeito, nunca falara, com todas as palavras, que a amava. Portanto, as palavras soaram extremamente especiais aos seus ouvidos.

Eu amo você. Cada sílaba ecoou em seus ouvidos e, mesmo sem ter plena consciência da razão, soube que nunca mais seria a mesma após ter escutado a profundidade daquela afirmação.

— Mayra, eu amo você. — Ele voltou a afirmar, dessa vez sem parecer inseguro.

— E eu... — Ela sorriu e fungou baixinho, tentando limpar as lágrimas. — E eu amo você. Como nunca amei homem algum.

Quando decidira aceitar participar daquela experiência, pensara ser capaz de seguir sem sentimentos. Porém, logo se assustara ao se perceber apaixonada. Com total sinceridade, tentara seguir em frente fingindo que tudo aquilo não era intenso demais para conter, mas falhara. E, ainda que temesse descobrir o significado daquele fato, Mayra tinha a mais plena consciência de que o amava. E, entre todas as coisas que existiam no mundo, tudo o que ela mais queria era tê-lo para si com a possibilidade de entregar-se por completo, dia após dia, sem temer se despedaçar em algum tipo de decepção.

Sem esperar mais nada, o Senhor a penetrou em uma estocada profunda, fazendo-a gritar seu nome. Logo, quase sem forças, ela sussurrava, clamando por mais. Precisando de sensações que sequer sabia o nome.

Ele a beijou com intensidade, mordiscando os lábios femininos, as línguas se encontrando. A confusão de braços e pernas era a prova de que ali existia uma conexão que bagunçava cada sentido. E os dois estavam muito satisfeitos com aquilo.

Logo, mudaram de posição. Cavalgando-o, Mayra se apoiou no corpo masculino e repetiu os movimentos até ficar completamente sem fôlego.

Era bom perder-se nele. Era maravilhoso. Pois quando se perdia, sentia que se encontrava. Encontrava a certeza de que o amor podia, sim, existir e que apesar dos problemas, valia a pena seguir em frente. Valia a pena apostar em alguém.

Durante praticamente toda a sua vida, se sentira insegura, pois nunca tivera a oportunidade de confiar, de fato, nas pessoas que amava. Sua mãe, que morrera dois anos após o seu nascimento, se tornara um espírito sombrio, que estava apenas nas memórias que os outros lhe contavam. Por outro lado, seu pai se tornara um homem problemático, que permitira se entregar à uma amargura completa. E assim, entre a solidão e o medo, Mayra nunca aprendera acerca do real significado de amor.

Talvez por isso, por estar aprendendo, sentisse que o que existia entre eles era muito grande. Maior do que ela. E, às vezes, temia se quebrar em um milhão de pedaços, caso tudo aquilo ficasse grande demais.

Porém, preferia vivenciar o momento e acreditar que tudo aquilo era certo, pois simplesmente parecia certo.

Com aquele pensamento em mente, ela gozou, gritando o nome dele mais uma vez enquanto sentia seu corpo estremecer, fincando as unhas na pele suada e fechando os olhos com força.

— Eu amo você. — Disse ela mais uma vez, exausta, afastando-se para cair entre os lençóis. Parecia completamente cômoda com a própria nudez.

Surpreendendo-a, ele se levantou da cama e caminhou até encontrar a calça que vestia quando chegara. De um dos bolsos, tirou uma caixinha aveludada e se aproximou da cama mais uma vez, deitando ao lado dela.

Com um sorriso que fez o coração dela disparar ainda mais, o Senhor abriu a caixinha. Lá, havia um anel brilhante.

— Aceitaria se casar comigo? Quando sugeri toda essa ideia, eu só queria ver até onde você seria capaz de ir por mim. Eu enxerguei a insegurança em seus olhos e percebi as mãos trêmulas, mas também pude ver o seu desejo de acertar. Isso me fez amá-la ainda mais. Case-se comigo, Mayra. Por favor.

Mayra ficou em silêncio por um bom tempo. Não era capaz de organizar os próprios pensamentos. Não era capaz de acreditar.

— Quando eu vi você esperando por mim com aquela touca natalina, eu soube que precisava mudar a nossa relação. Eu precisava ter você como a minha esposa, ao meu lado. Para sempre. Case-se comigo.

Mayra retribuiu o sorriso e o puxou para um abraço. Ficaram tão próximos, que ela quase pôde ouvir o som das batidas do coração dele.

— Sim, eu aceito me casar com você. — Ela o beijou e sentiu-se plena.

Sem dúvidas, aquele era o Natal mais feliz da vida de Mayra. Pois, enfim pudera descobrir que era possível acreditar em um final feliz. E ele era, sem dúvidas, o final feliz que ela sempre sonhara em ter.

E assim, juntos naquele dia natalino, decidiram acreditar que podiam ser felizes para sempre, desde que tivessem um ao outro.

— Feliz Natal, minha noiva. — Disse ele ao passar os dedos entre os cabelos dela.

— Feliz Natal, meu Senhor. — Respondeu ela, relaxada.

— Senhor? Não, minha Mayra. Agora eu sou o seu futuro marido. O seu homem. Assim como você é minha.

Assim, o Natal se tornou a maior representatividade de alegria para ambos. Afinal, tinham a oportunidade de um recomeço repleto de surpresas.

Dessa vez, sem jogos de poder

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